Novo estudo revela genoma Wagyu 16% mais completo e abre caminho para seleção genética mais precisa, melhor marmoreio e maior eficiência produtiva.
Um novo estudo científico publicado na revista Nature Communications acaba de estabelecer um marco na genômica bovina ao apresentar o genoma mais completo já montado para a raça Wagyu. A pesquisa, conduzida por cientistas da University of Adelaide, em parceria com o United States Department of Agriculture (USDA), amplia significativamente o entendimento sobre os fatores genéticos que influenciam marmoreio, rendimento de carcaça, eficiência produtiva e qualidade da carne.
Esse avanço tem implicações diretas para programas de melhoramento genético, cruzamento industrial e para a consistência da carne premium no mercado.
O que muda com o novo genoma Wagyu
Segundo os pesquisadores, a nova montagem genômica é aproximadamente 16% maior do que o genoma de referência bovino utilizado anteriormente, permitindo a análise de regiões do DNA que antes não eram acessíveis.
De acordo com o pesquisador Dr. Lloyd Low, autor sênior do estudo:
“We have presented a near complete cattle genome that is 16 percent longer than the current reference genome.”
Essa expansão permite identificar centenas de genes adicionais e, principalmente, um grande número de variantes estruturais — alterações genéticas que envolvem segmentos maiores do DNA e que podem influenciar múltiplas características ao mesmo tempo.
Para a coautora Paulene Pineda, o avanço oferece uma base genética muito mais precisa:
“This new Wagyu genome provides a much more complete and accurate view of the genetic blueprint behind one of the world’s most prized beef breeds.”
O papel das variantes estruturais na qualidade da carne
Grande parte dos programas de seleção genética utiliza principalmente SNPs (polimorfismos de nucleotídeo único). No entanto, características complexas como marmoreio, eficiência alimentar, fertilidade e rendimento de carcaça podem estar fortemente associadas a variantes estruturais, que alteram regiões extensas do genoma.
O pesquisador Dr. Callum MacPhillamy, da CSIRO, destaca:
“These structural variants are an untapped genetic resource and some of them may be key to some of the prized traits of cattle. Moreover, they highlight the hidden diversity present within a seemingly homogeneous breed.”
Isso indica que mesmo dentro de populações consideradas geneticamente homogêneas, como o Wagyu, existe diversidade genética relevante ainda pouco explorada.
Impacto direto na seleção genética e no cruzamento industrial
Do ponto de vista prático, a nova base genômica fortalece a aplicação de ferramentas de seleção com maior precisão.
Segundo o Professor Wayne Pitchford, diretor do Davies Livestock Research Centre:
“The Wagyu genome provides a foundational genetic resource to identify variants responsible for marbling and other traits affecting profit.”
Na prática, isso pode resultar em:
- maior previsibilidade de marmoreio e rendimento;
- melhor eficiência nos programas de cruzamento industrial;
- redução da variabilidade entre animais de um mesmo lote;
- maior retorno econômico por animal produzido.
Para sistemas comerciais, especialmente em programas que utilizam Wagyu em cruzamentos, esse nível de precisão genética é essencial para equilibrar qualidade de carne e desempenho produtivo.
Aplicações para outras raças e sistemas de produção
Embora o Wagyu tenha sido o foco principal do estudo, os autores ressaltam que a metodologia e os dados obtidos podem beneficiar outras raças bovinas.
A professora Cynthia Bottema explica:
“Our new cattle genome means breeders now have a better tool that will allow for greater precision when identifying and selecting for traits like marbling, fertility and disease resistance — not only in Wagyu, but other cattle breeds as well.”
Isso amplia o impacto do estudo para programas de seleção voltados a:
- eficiência alimentar;
- resistência a doenças;
- adaptação a diferentes sistemas produtivos;
- sustentabilidade da pecuária.
Consequências para a indústria e para o mercado de carne premium
A consistência de qualidade é um dos principais desafios da cadeia de carne premium. Restaurantes, varejistas e consumidores buscam não apenas altos níveis de marmoreio, mas regularidade na experiência de consumo.
Com uma base genética mais precisa, torna-se possível:
- melhorar a padronização de carcaças;
- reduzir perdas industriais;
- alinhar melhor genética, nutrição e manejo;
- fortalecer marcas de carne de origem controlada.
Em mercados internacionais com exigências sanitárias e técnicas elevadas, a capacidade de demonstrar controle genético e previsibilidade produtiva se torna um diferencial competitivo estratégico.
Conclusão: genética de alta precisão como pilar da pecuária moderna
O novo genoma do Wagyu representa um avanço estrutural para a pecuária de corte. Mais do que um progresso científico, ele fornece uma ferramenta concreta para:
- melhorar a eficiência produtiva;
- aumentar a previsibilidade genética;
- elevar a consistência da carne premium;
- sustentar modelos de produção orientados por dados.
À medida que essas tecnologias são incorporadas nos programas de melhoramento e nas decisões de campo, a pecuária avança para um modelo mais profissional, previsível e alinhado às exigências dos mercados premium globais.
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Fontes
•Nature Communications — High-quality, haplotype-resolved assembly of the Wagyu cattle genome reveals structural variants associated with traits of interest
•ScienceDaily — “Decoding the perfect steak: The hidden DNA behind Wagyu’s legendary marbling”
•University of Adelaide — comunicado oficial sobre a nova montagem genômica do Wagyu
