O governo da China anunciou a adoção de medidas de salvaguarda sobre a importação de carne bovina a partir de 2026, incluindo a criação de cotas por país e a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem esses limites.
A decisão, válida inicialmente até 2028, tem como objetivo declarado proteger a pecuária local chinesa diante do crescimento expressivo das importações nos últimos anos. No entanto, o impacto da medida deve ser sentido em toda a cadeia global de carne bovina — especialmente nos segmentos de carne premium, como Wagyu e Angus.

Como funcionam as novas regras

A China estabeleceu cotas anuais de importação por país fornecedor. Os volumes que permanecerem dentro dessas cotas seguem pagando as tarifas normais de importação. Já os embarques que excederem a cota estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, tornando o produto significativamente menos competitivo no mercado chinês.
Entre as cotas divulgadas:
  • Brasil: aproximadamente 1,1 milhão de toneladas
  • Austrália: cerca de 205 mil toneladas
  • Argentina: cerca de 511 mil toneladas
  • Uruguai: cerca de 324 mil toneladas
  • Estados Unidos: cerca de 164 mil toneladas
Para o Brasil, a cota anunciada é inferior ao volume total exportado ao mercado chinês em 2025, o que indica que parte das exportações poderá, sim, ser impactada pela tarifa adicional ao longo do ano.

Por que o Wagyu pode ser mais afetado

Embora as cotas sejam aplicadas ao volume total de carne exportada, há um ponto sensível para o mercado de carnes premium:
grandes exportadores tendem a priorizar o uso da cota com cortes de maior volume e menor valor, como dianteiros e trimmings, para garantir escoamento de produção em escala.
Isso pode reduzir o espaço disponível dentro da cota para cortes de alto valor agregado, como os cortes marmorizados de Wagyu, que dependem de competitividade de preço para acessar nichos premium de food service e varejo na China.
Com a tarifa adicional de 55%, esses produtos podem se tornar economicamente inviáveis em determinados canais, levando exportadores a redirecionar volumes para outros mercados.

Reorganização dos fluxos de exportação

Entidades do setor e analistas internacionais já indicam que o cenário deve provocar uma reorganização dos fluxos globais de carne bovina premium, com maior foco em mercados como:
  • Oriente Médio
  • Sudeste Asiático
  • Europa
  • Mercados domésticos em expansão
Para países produtores de Wagyu fora do Japão, como Brasil e Austrália, a estratégia tende a se concentrar ainda mais em diversificação de mercados, diferenciação de marca, rastreabilidade e certificação, fatores essenciais para competir em mercados exigentes mesmo sem o volume chinês.

Oportunidade para cadeias estruturadas

Apesar do desafio, o novo cenário também reforça a importância de cadeias produtivas bem organizadas, com:
  • Genética avaliada
  • Padronização de carcaça
  • Rastreabilidade
  • Processos industriais controlados
  • Marcas fortes e posicionamento premium
Em um ambiente de maior competição por mercados, qualidade comprovada e consistência de entrega passam a ser diferenciais ainda mais relevantes para manter valor e acesso internacional.

O que esperar daqui para frente

Especialistas apontam que, embora as tarifas tragam restrições, a China não está fechando seu mercado para carne importada, mas sim administrando volumes e tentando proteger produtores locais.
Ainda há espaço para negociações diplomáticas, ajustes de cotas e reconfiguração de contratos comerciais ao longo dos próximos meses. Enquanto isso, produtores e indústrias precisam se preparar para um cenário de maior seletividade de mercados e valorização da eficiência produtiva.
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